Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

A Joana

Imagine que a pessoa por quem se apaixonou, a tal. Imagine que essa pessoa afinal não existe. Seria trágico, não? Talvez…

Não que a pessoa física não exista, mas tão só já não é aquela por quem se apaixonou. Não significa isso que seja pior ou melhor pessoa, apenas não é mais a mesma que o cativou. Talvez o mal seja seu, projectamos o nosso ideal, as nossas necessidades noutra pessoa e passamos a vê-la, não como ela é na realidade mas, como nós gostaríamos que ela fosse. Talvez precisássemos de uma filtro, como num magnífico dia de verão passado na praia ou no campo, em que a luz do sol por ser tão intensa não nos permite desfruta-la na sua plenitude, nesses dias, um vulgar par de óculos de sol faz a diferença, permite-nos apreender e desfrutar melhor todas as cambiantes que a luz solar nos oferece, para que as possamos ver com outros olhos e assim nos possamos aperceber como elas são, com os seus defeitos e virtudes.

Se pensarmos bem todos os dias nos desiludimos como alguém, quanto mais não seja com o mundo, quantas vezes nos sentimos incompreendidos e injustiçados. Acontece todos os dias. Como os casais que se separam, as pequenas e as grandes desilusões que temos no dia-a-dia com as pessoas que mais amamos, os desencontros da vida. E se perdermos uns minutos do nosso dia a observar os rostos das pessoas com quem no cruzamos, veremos que a amargura e desilusão marcam esses rostos, embora a alegria e a esperança se mantenham, mais latentes nuns que noutros. As desilusões amorosas são aquelas que nos marcam em profundidade, e quando pensamos que as superamos basta uma música, um aroma, uma imagem para que tudo venha novamente á superfície. Passe o tempo que passar, basta um pequeno momento de fragilidade para que tudo regresse.

Impossível de acontecer comigo. Tinha sempre a situação controlada, sempre na crista da onda. Julgava-me intocável, até conhecer a Joana, a tal.

Com ela quebrei a regra mais valiosa, a minha regra de ouro:

- Não te envolvas emocionalmente, sem antes te envolveres fisicamente. Foi o meu primeiro erro e o princípio do fim…

 

Combinamos encontro nas Pedras:

- Quando chegares dá um toque a dizer onde estás que eu vou ter contigo. Disse ela ao telefone.

 

Levantei-me mais tarde do que habitualmente faço, e nu fui até a cozinha beber o meu copo de água matinal. Depois a rotina do costume: esvaziar a bexiga e os intestinos após o que fiz cuidadosamente a barba, então enchi a banheira e preparei-me para um relaxante banho de hidromassagem, a viajem era longa, e o banho ia ajudar. Enfiei-me na banheira, liguei cuidadosamente o meu mp3 e relaxei ao som de Lenny Kravitz.

Pensava nela, no seu sorriso cativante, na sua alegria contagiante. Os meus sentimentos por ela eram um misto de ternura, carinho e tesão. Sentimentos que se foram acentuando nos cerca de dois meses que falávamos ao telefone, ou através da net quando estava no escritório, alias desde que a conheci que passei a achar o trabalho de escritório bem mais interessante, permitia “estar” mais tempo com ela, vê-la, trocar fotos. Enfim tornou o meu trabalho rotineiro, entre relatórios e reuniões, bem mais aprazível. Cheguei ao ridículo de colocar a foto dela como fundo no meu pc. Estava apaixonado!

Ao fim de 40 minutos sai do banho, enxuguei-me, coloquei creme na pele e após uma pequena indecisão na escolha do perfume, optei por Paço Rabanne Black xs em detrimento de Hugo Boss Selection, pareceu-me a escolha mais adequada para aquele dia. Vesti as calças de ganga preta da Salsa e a camisa branca com dupla lista negra da Springfield, que tinha comprado na véspera. Estava pronto para sair de casa, o pequeno-almoço e toma-lo de caminho, em Aveiras, só faltava ligar o telemóvel.

 Liguei e enviei-lhe uma sms:

- Bom dia com alegriaaaaa! Vou sair agora, até já. Beijo. (“Bom dia com alegriaaaa!” é uma expressão dela que eu simplesmente adoro!).

 

Aguardei a confirmação da recepção da sms e guardei o telemóvel. Sai directo a garagem. Falta algo, pensei. Quando ia a entrar no carro lembrei: As rosas! Na véspera tinha encomendado 12 rosas vermelho escuro na florista do centro comercial que fica junto ao meu prédio. Subi ao piso zero e dirigi-me a florista. Lá estava o meu ramo bem composto. Sorri para a empregada, paguei e zarpei. O destino era vila real. De caminho liguei para a empresa para dizer que passava o dia fora, tinha de visitar varias obras e na quinta-feira apresentava os relatórios. Mentira.

Tínhamos combinado ás 13 horas, era a hora de saída dela, nas Pedras Salgadas. Olhei para o relógio, meio-dia e ainda estava em Coimbra, optei por ir até Aveiro e depois apanhar a A25 até Viseu e aí seguir pela A24 para Vila real/Chaves. Assim fiz, e perto da uma da tarde passei pela Régua, preocupado com ela, liguei mas não atendeu, enviei uma sms:

- Passei a Régua…

Esperava que ela entendesse que estava atrasado e me ligasse ou esperasse por mim. Continuei e por volta das duas da tarde cheguei finalmente as Pedras Salgadas.

 

Estacionei em frente aos correios e perto do café Ponto de Encontro, sorri achei o nome apropriado ao momento, situado na única avenida da simpática vila, e como combinado enviei uma sms:

- Cheguei! Tou em frente ao café ponto de encontro, Bj.

Esperei longos 5 minutos sem resposta. Liguei para ela, o telefone tocava mas ninguém atendia.

- Tou fodido. Pensei.

Não esperava, nem nunca me tinha acontecido, uma cena daquelas. Andar 400 km para nada. Insisti no telefone, nada. Enviei outra sms:

- Tas satisfeita? Fodeste-me bem! Isso não se faz… espero que fiques bem com a tua consciência, se é que a tens. Vou embora, não te procuro mais. És uma desilusão, adeus!

Tinha descarregado parte da minha raiva. Esperei mais 5 minutos por uma reacção embora o meu instinto me dissesse que não valia a pena esperar. Confirmou-se, ela não apareceu nem ligou. Será que esta mulher existe? Pensei. Nada como confirmar, sabia o seu local de trabalho e assim passei por lá.

- Olá, boa tarde. A Joana está, por favor. Perguntei na recepção.

- Não, já saiu. As quartas sai as 13 e não vem de tarde. Respondeu a recepcionista com um sorriso.

Não sei se fiquei feliz ou mais triste ainda. Por um lado ela existia, era real. Por outro a desilusão era grande!

 

De novo no carro, estacionado em frente ao seu local de trabalho, tentei mais uma vez ligar para ela, sem sucesso. Decidi ir até Vila Pouca, sempre a me podia cruzar com ela no caminho, mas tal não sucedeu. Acabei por seguir até Vila Real, onde almocei. Depois de almoçar e após enumeras tentativas para falar com ela desisti e liguei á minha amiga Maura.

- Olá a que devo a honra? Perguntou com uma gargalhada.

- Olá, tas boa? Estou em Vila Real, vou agora para baixo posso passar aí? Respondi.

- Estas a vontade só preciso de duas horas, estou no turno da manhã. Disse ela.

- Ok, duas horas. Espero por ti no “Agua Benta”, beijo. Respondi.

Pedi a conta, paguei e sai. Estava mais calmo, mas quando cheguei a carro reparei no ramo de rosas, fiquei fodido novamente. Agarrei nas rosas e enfiei no caixote de lixo mais perto. “Otário” pensei.

Resolvi mandar uma última sms:

- Tens medo de atender o telefone? Não vou ser grosseiro embora o mereças. Só queria ouvir a tua voz para saber se existes mesmo. Ou serás produto da minha imaginação?

 

Estava quase a chegar a Viseu quando o telefone tocou. Era ela, parece que estava a espera que me fosse embora para ligar. Atendi:

- André, desculpa. Não foi com intenção, onde estás? Disse.

O meu estado era um misto de fúria e de emoção, prazer que a voz dela me provoca.

- Estou em Viseu… Tudo bem depois falamos. Respondi enquanto desligava o telefone para não ser traído pela emoção que transparecia na minha voz.

- “Está tudo bem?! Otário!” pensei, enquanto dava dois murros no tablier do carro. Fodasse!

 

Já estava sentado no café a beber uma agua com gás, das pedras, quando recebi nova sms dela. Nem me preocupei em ler, estava numa de descontrair. Pouco depois chegou a Maura.

- Olá! Meu carequinha sexy… disse ela sorrindo para mim.

Aproximou-se de mim enquanto me levantava e beijou-me na boca.

- Olá, estás bem? Perguntei.

- Sim, e tu também… Sorriu com malícia, acrescentou: que contas?

- Bebes alguma coisa? Perguntei.

- Não, estou um pouco à pressa, tenho um encontro no fim da tarde e ainda vou a casa. Respondeu.

- Tive uns assuntos em Vila Real e lembrei-me de ti, já não nos vemos à uns tempos. Disse.

- Queres que te diga à quanto tempo? Respondeu a rir. Depois acrescentou: Vamos até minha casa, passas cá a noite?

- Sim, se o teu sofá estiver disponível. Sorri.

- No sofá? Isso é novidade… Rimos os dois.

Entretanto recebi mais uma sms da Joana.

- Não lês? Hum… andas a fugir de alguém. Disse ela a rir.

- Nada de importante, vamos? Respondi.

 

Chegados a casa dela, situada perto do Fontelo, fomos tomar banho.

- Vou tomar banho, fazes-me companhia? Perguntou com malícia.

- Estou mesmo a precisar, foram muitas horas ao volante, mas não queria abusar. Respondi enquanto ela soltava uma gargalhada.

- Abusar, tu? Não…Vá tomamos banho juntos e pomos a escrita em dia, quero dizer falamos, ok? Disse divertida.

Despimo-nos no quarto e fomos juntos para a casa de banho.

- Continuas em boa forma. Disse enquanto apreciava o seu corpo alto e esguio. Nádegas pequenas e firmes ligeiramente arrebitadas, sem uma grama de celulite. Pernas longas quase atléticas. O cabelo preto liso e comprido acentuava bem a sua pele muito morena. Muito sensual.

- Ai, ai, André… não te ponhas já com ideias, também não estás mal! Respondeu divertida.

Já na casa de banho abriu a água quente e temperou com a fria.

- Se bem me lembro não gostas da água muito quente. Disse ela acrescentando: um minuto, chichi.

Sentou-se na sanita enquanto eu entrava para a banheira. A água estava impecável e melhor ficou quanto ela se juntou a mim. Abraçou-me por trás, esmagando o seu peito nas minhas costas. Estava em brasa, voltei-me para ela, que sorria para mim. Depois beijou-me na boca, primeiro ao de leve e depois com intensidade. Ficamos assim uns minutos, com as nossas línguas a explorarem em profundidade as nossas bocas. Quando o meu pénis deu sinal de vida ela despertou para a realidade e afastou-se ligeiramente.

- Tinha ficado combinado que não havia mais sexo entre nós. Disse meio séria.

- Tu é que me beijaste… Respondi divertido com a cena.

- Mas eu posso beijar-te…isso não quer dizer que haja sexo, certo? Disse ela a rir.

- Ok! Posso ao menos ensaboar-te? Respondi no gozo.

- Tonto! Retorquiu a rir.

As mulheres são mesmo complicadas, difíceis de entender. Quanto mais as conhecemos, menos as entendemos. Penso que nem elas mesmo se entendem. Como diz meu amigo Mário:

- As gajas deviam vir com um livro de instruções, era mais fácil!

Mas o mais interessante, para mim, é que essa dificuldade em entende-las as torna ainda mais desejáveis. No fundo tratasse de um jogo de sedução que elas estão habituadas a jogar desde de a mais terna idade.

 

            O banho deu para por a escrita em dia, alias só deu mesmo para isso, também não era a altura mais indicada para sexo, ainda tinha muito presente a desilusão que Helena constituía. Falamos como duas pessoas que se gostam e que em certa altura da vida tiveram um percurso, embora curto.

- De certeza que não queres vir? Perguntou ela, já pronta para sair. Acrescentou: É um jantar de amigas. Venho cedo, amanhã entro no hospital cedo.

- Força, tas a vontade. Vou até ao Agua Benta, tomar um gin tónico e depois como qualquer coisa por ali… quando chegares já cá estou. Respondi.

- Isso, bom menino, falamos melhor então. Retorquiu divertida, acrescentando: deixas-me no Fórum?

- Claro. Respondi enquanto saíamos.

 

Na esplanada do bar com o gin tónico à frente decidi ler as sms da Joana. Não dizia nada de especial, apenas se justificava dizendo que se tinha esquecido do telemóvel em casa e que por isso não tinha podido comunicar comigo. Tretas, pensei. Pedia ainda que lhe ligasse quando a raiva me passasse. Dei mais uns goles no gin e desfrutei o ambiente: bom enquadramento urbano, com a Sé catedral de Viseu em plano de destaque, a luminosidade do dia, os materiais utilizados e o razoável estado de conservação conferia uma beleza intemporal àquele aglomerado. Tinha reencontrado o meu ponto de equilíbrio.

Decidi ligar à Joana:

- Alô. Disse quando ela atendeu.

- André desculpa, juro pela minha saúde que foi sem intenção. Respondeu, após uma pausa continuou:

- De manhã sai à pressa de casa e esqueci-me do telemóvel, depois do almoço ia busca-lo a casa nas tive de ir a uma reunião em Vila Real. cheguei a pouco a casa. Concluiu.

- Ok, se tu dizes eu acredito. Mas não precisas pedir desculpa, o erro foi meu, avaliei mal a situação. Respondi tranquilo.

- Avaliaste mal? Como assim…? Questionou-me.

- Pensei que tivesses tão envolvida quanto eu… Retorqui.

- Oh! Não digas isso. Respondeu.

- De qualquer forma não estava destinado conhecermo-nos, por isso é melhor ficarmos por aqui. Disse eu.

- Já sabia que ias dizer isso… onde estás? Perguntou.

- Viseu, passo cá a noite. Respondi ainda na esperança que ela sugerisse outro encontro, mais logo ou no dia seguinte.

- Mas estás onde? Perguntou novamente.

- Numa esplanada a beber um gin tónico. Respondi.

- Sim, mas ficas aonde? Num hotel, pensão…? Perguntou.

Sim, podia dizer que ficava num hotel, mas mais uma vez fui sincero com ela.

- Em casa duma pessoa amiga. Disse.

- Uma pessoa amiga ou uma amiga? Questionou.

Perguntas a mais, muito interesse para quem umas horas antes se tinha esquecido de mim. Mulheres! Nunca sabem o que querem, apenas sabem que não gostam de perder…

- Uma amiga, apenas isso. Respondi.

- Pois, combinaste comigo e com essa amiga não fosse a coisa dar para o torto. Disse.

Ciúmes nesta altura, tens cá uma lata. Pensei.

- Apenas combinei contigo. Respondi, acrescentando: esta conversa não leva a nada, ficamos assim…

- Não me queres ver mais? É isso? Perguntou.

- Vamos falando. Respondi.

- Então é assim… Disse ela.

- Que queres que te diga? Sabes bem o que sinto por ti, adoro-te Joana! Mesmo sem te conhecer pessoalmente, pelo que conversamos, pela pessoa que és… Respondi com emoção. Depois acrescentei:

- Se realmente me queres eu passo aí na próxima quarta-feira para nos conhecermos, mas tens de dizer que me queres. Conclui.

- Sim, quero que venhas e até podemos para a noite juntos. Tenho medo, não foi isso que aconteceu hoje, mas tenho medo… Respondeu.

- Não tenhas medo de gostar de mim. Disse.

Assim combinamos novo encontro para a semana seguinte, mesmo sabendo que o mais certo era não acontecer, quis acreditar, e o desejo de conhece-la ainda era muito grande.

 

            Perto das onze da noite voltei para a casa da Maura, ela tinha acabado de chegar do seu jantar de amigas. Preparou um dry martini para ambos, colocou um cd de Joe Cocker e juntos no sofá à meia-luz curtimos o momento.

- Como correu o teu jantar? Perguntei.

- Bem, sabes coisas de mulheres… Respondeu.

- E o teu coração? Tem dono? Perguntei.

- Queres saber se ando a comer alguém, não é? Não, já tive a minha dose de homens. Respondeu enigmática.

- Não me digas que mudaste de equipa… Disse a sorrir.

- Não, cruzes! Se bem que… queres saber uma coisa? Quando andava na faculdade, no 2º ano partilhei a casa com uma funfa, sério. Disse olhando bem para mim.

- E? Disse expectante.

- Era uma miúda muito bonita, uma autêntica boneca, dávamo-nos muito bem… e até chegamos a curtir, mas, conheces-me, faltava algo. Sabes bem do que gosto. Concluiu sorrindo enquanto me acariciava o pénis: ficaste com tesão, não é?

Inclinou-se para mim e beijou-me na boca com tesão. Agora estávamos deitados no sofá, ela por cima, com as bocas bem coladas. Com as duas não apalpava o seu rabo pequeno e rijo, o meu pénis já estava em sentido pronto para acção, quando ela se levantou.

- Era o meu beijo de boa noite. Disse ela sorrindo: vou me deitar, amanhã levanto cedo.

- Então boa noite. Respondi.

Afastou e junto à porta da sala virou-se e atirou um beijo enquanto piscava o olho. Voltou passados uns minutos, nua, com uns lençóis.

- Se quiseres podes dormir comigo na cama, sem sexo… mas como tu dormes nu e eu também isso deve ser difícil. Disse ela a sorrir.

Aproximou-se e colocou os lençóis no sofá.

- Pões um por baixo, deitas-te e tapas-te como o outro… Disse divertida.

- Já agora contas-me uma história para adormecer, mãezinha. Respondi no mesmo tom.

Sorrimos, trocamos um abraço e um beijo.

- Bons sonhos. Disse ela.

- Igualmente. Respondi enquanto apreciava o seu corpo.

 

            A Maura tem uma bela figura é daquelas mulheres que por mais que se esforcem nunca conseguem passar despercebidas, além disso é bastante divertida e tem um grande carácter. Somos amigos à três anos, praticamente desde que ela se separou do marido.

- Um montanhês tosco. Dizia a Maura numa das nossas conversas, continuando: Sabes que sou de Coimbra, mas sempre passei as ferias em Viseu, a terra dos meus pais, e foi num desses verões num baile na aldeia que nos conhecemos. Tinha 17 anos e ele era um pouco mais velho que eu, nesse verão não nos largamos mais.

Faz uma pausa e continua:

- Foi o meu primeiro homem e casamos logo que terminei o curso. Consegui colocação no hospital de Viseu e ficamos a morar cá. Mas ao fim de um ano eu já sabia que o nosso casamento não iria longe.

- Porquê? Perguntei.

- Por muita coisa. Não pelo que estás a pensar, ele até era bom na cama apesar de conservador com ele era sempre na mesma posição, a de missionário. Mas tinha muita energia e era bem avantajado. Disse divertida, continuou: não tinha tanta imaginação como tu, também era impensável pedir-lhe que me comesse o cu, e sabes que adoro isso… não, não foi pelo sexo. Era uma pessoa difícil, sem diálogo, incapaz de manter uma conversa ou de fazer um galanteio. Era mesmo rude.

- Foi pena só descobrires isso de pois de casar. Disse eu.

- Sabes como as coisas são, era uma miúda quando comecei andar com ele e depois achava piada aquele jeito rude que ele tinha. As coisas vão se enrolando e quando damos por elas já estamos casados. Justificou-se.

            Conheci a Maura numa festa em casa de amigos no Porto, foi paixão à primeira vista. Estava deslumbrante, sensual é a palavra certa, num vestido branco muito justo como se fosse uma segunda pele, dava para perceber todos os contornos do seu corpo. Logo que entrei na sala reparei nela que de imediato olhou para mim, sorrimos. Passamos o resto da noite a trocar olhares e sorrisos, até que perguntei ao Filipe, o anfitrião, quem era aquela morena tão sensual que estava a monopolizar as atenções masculinas.

- É a Maura, separou-se à uns meses do Jorge, aquele meu amigo de Viseu. Disse, continuando: a Paula – é a mulher do Filipe – gosta muito dela. Olha que ela já andou a fazer umas perguntas sobre ti.

O Filipe é assim, tem alma de alcoviteiro, mas é como a Paula um dos casais mais simpáticos e que melhor sabem receber os seus convidados, e que tenho o prazer de conhecer. Somos amigos à mais de dez anos, desde que se casou com a Paula a minha fiel amiga dos tempos de faculdade, uma das poucas que nessa época não passou pela minha cama, ainda chegamos a trocar uns beijos numa daquelas festas malucas que iam até de manhã, num sótão numa casa dum conhecido algures em Sintra. Desses tempos ficou uma sólida amizade que se mantém e se estende também ao Filipe.

- Não perdes uma, mas ela é toda boa! Disse Filipe entusiasmado.

- Quisera eu não perder nenhuma, então com aquelas qualidades. Respondi no mesmo tom.

Ela ao fundo observava como manifesto interesse a nossa conversa, abandonei a companhia do Filipe e dirigi-me para ela que se afastava sorrateiramente. Segui-a até ao piso de cima e dei com ela parada junto a porta da casa de banho, quando me viu entrou deixando a porta parcialmente aberta, pela frecha vi-a, levantou o vestido e tirou o fio dental, viu-me, sorriu para mim e convidou a entrar. Certifiquei-me que não havia ninguém no corredor e entrei trancando a porta de seguida.

- Olá, bela fugitiva. Disse eu.

Ela não respondeu, esboçou um sorriso sensual e avançou para mim beijando-me. Beijo longo e intenso, inteiramente correspondido por mim. As suas mãos já trabalhavam no meu pénis, procurando com afã tirar-me as calças que não foi difícil. Depois levantou o vestido sentou-se na bancada do lavatório com as pernas bem abertas.

- Vem, fode-me! Quase gritou.

Já tinha as calças e os boxeres completamente em baixo e o pénis em riste pronto para entrar em acção, desabotoei a camisa e avancei penetrando aquela cona impecavelmente rapada, enquanto isso beijava-a no peito.

- Oh! Isso fode-me! Repetia ao meu ouvido entre uma e outra lambidela. Com as mãos dava-me palmadas nas nádegas.

- Isso, oh! Dizia doida de tesão.

Malhava forte segurando-a com as duas mãos no rabo para não fugir, tal a violência das estocadas, ela estava deliciosa, muito quente e frenética. Preparava-me para gozar a qualquer momento quando ela abriu a torneira e molhou as mãos passando-as em seguida no meu peito, refrescando-o.

- Gostas bruto?. Disse com um sorriso nos lábios. Gostas de me foder? Ainda não provaste o melhor…

- Que delicia de cona! Respondi doido de tesão.

- Mete tudo e pára. Disse ela.

- Oh! Isso. Continuou, enquanto apertava as coxas quase esmagando o meu pénis.

Enquanto isso ela passava a língua nos meus mamilos mordiscando-os, o que me deixava ainda mais doido de tesão. Depois afrouxou a pressão das coxas no meu pénis o que me permitiu dar mas umas estocadas, pendurou-se em mim e mexia-se freneticamente cavalgando no meu pénis, gemia e dava gritinhos. Por fim parou e saiu de cima de mim pondo-se de costas, com as mãos bem apoiadas bancada do lavatório e o rabo bem empinado.

- Come-me no cu! Quase implorou.

Assim o fiz, primeiro dei-lhe umas palmadas no rabo depois com uma mão agarrei-a pelos longos cabelos e enquanto a beijava na nuca com a outra mão apalpava o seu rabo, penetrando-a no ânus com o dedo anelar, preparando o caminho. Ela delirava de ansiedade e empinava ainda mais o rabo, por fim enchi a mão com sabonete líquido e besuntei o pénis com ele penetrando-a de seguida.

- Oh! Ai… ai… mete, mete… Dizia louca de tesão.

- Oh! Cuzinho tão bom! Sussurrava no seu ouvido.

- Sim, gostas? Oh! Bruto… sim, mete tudo. Gritava.

Estava completamente transfigurada, com uma mão acariciava-se no clítoris enquanto a outra procurava na minha coxa puxando-me mais para ela.

- Oh! Oh! Vem-te no meu rabo… continuava.

Eu estava no auge, que loucura de foda, com uma desconhecida, numa festa na casa de banho da minha melhor amiga. Abstrai-me de tudo, agarrei-a com firmeza pela cintura e aumentei o ritmo das estocadas.

- Oh! Sim, isso… mete tudo, quero…quero! Gritava.

- Oh! Vou esporrar no teu rabo. Gritei no auge da tesão.

Retirei o pénis do ânus e esgalhei-o até ejacular, o famoso chuveirinho que tantas mulheres adoram, cobrindo-lhe as nádegas e as costas com esperma.

- Ui… tão bom! Disse.

- Oh! Isso… Dizia ela.

O barulho característico e a música da festa tornaram-se mais nítidos. Tinham passado, dez ou quinze minutos, parecida tudo normal.

- Maura. Disse já recomposta do sexo animal que tínhamos praticado.

- André. Respondi enquanto a beijava novamente.

- Temos de sair. Disse ela, continuando: vai à frente, eu preciso de mais uns minutos.

De pé junto ao lavatório, passei o pénis por água enquanto urinava ali mesmo, depois de me recompor sai.

- Até já. Disse.

A verdade é não a tornei a ver nessa noite, nem nos tempos que se seguiram, só voltamos a estar juntos dois meses depois, também no Porto. No ano que se seguiu mantivemos uma relação íntima, com encontros regulares, uma ou duas vezes por semana. Depois afastamo-nos a nossa relação tinha chegado a um impasse: ou assumíamos a relação ou então cada um seguia o seu caminho libertando o outro. Não me sentia preparado para abdicar da minha liberdade, ou talvez o que sentíamos não fosse suficiente forte para forçar uma mudança, talvez fosse apenas sexo e amizade.

 

Deitado, todo nu, no sofá com o portátil ligado comecei a escrever o filme do dia. Lembrei-me da Joana e enviei-lhe uma sms:

- Como vai a minha transmontana linda?

Passados uns minutos a resposta chegou:

- Bem, e a tua amiga? Vais dormir com ela?

Respondi:

- Durmo no sofá, aliás estou no sofá a escrever no portátil, depois mando-te por mail para criticares.

Mais uns minutos e a resposta:

- Hum… e ela está aí a ler as histórias?

- Não, já está deitada. Amanhã entra cedo, é enfermeira. Sabes que disse que podia dormir com ela na cama, mas sem sexo! Imagina!? Enviei a sms.

Não tardou a resposta:

- Porquê? Não achas possível dormires com uma mulher sem terem sexo…?

Não, com a Maura era impossível. Pensei.

Não respondi directamente:

- Amanhã falamos melhor, bisou (beijo).

Encerrei o portátil e preparei-me para dormir, estava cansado e o dia não tinha corrido conforme o planeado. Uma ilusão pensar que podemos planear os nossos dias com tanta fiabilidade, quando envolve o coração o melhor é não fazer grandes planos e deixar-se ir. Como diz o ditado: Quando o vento está por trás, pelas costas, o melhor é não nos viramos e deixarmo-nos ir… Adormeci.

 

Acordei quase de madrugada, e vi a Maura parada na penumbra da porta observando-me. Fingi estar a dormir, ela aproximou-se parando junto de mim, depois ajeitou a lençol tapando-me os pés. Sorriu e sorrateiramente abandonou a sala. Por momentos desejei que ela fosse a Joana.

Levantei-me cedo ainda a Maura estava a deitada e fui tomar banho. Tinha de regressar cedo a Lisboa, a tempo da reunião semanal de coordenação. Acabei de tomar banho e com a toalha enrolada na cintura sai da casa de banho. Para minha surpresa a Maura estava á porta, nua, apenas com um avental.

- Bom dia, nino! Vou preparar o pequeno almoço… Disse ela divertida.

- Agradeço, mas fica para outra vez. Tomo de caminho. Respondi.

- Oh! Fiquei muito decepcionada contigo… não me foste visitar a minha cama. Disse ela fazendo cara triste.

- Ah! Pensei que não quisesses… Respondi.

- Homens, nunca são capazes de saber o que pensamos. Retorqui sorrindo.

Depois ajoelhou-se, tirou-me a toalha e abocanhou o meu pénis alimentando-se com doçura. Estávamos no corredor, na porta da casa de banho. Fechei os olhos, levantei a cabeça e pensei: que se lixei, chupa. À medida que o meu pénis crescia mais ela se empenhava aumentando o ritmo, com uma mão acaricia os testículos e com a outra masturbava-se. Depois levantou-se e beijamo-nos de seguida pendurou-se em mim e sussurrou ao ouvido:

- Leva-me para o quarto e dá-me o que quero.

Levei-a para o quarto, ela colocou-se em posição em cima da cama, de gatas com o rabo bem empinado, como uma gata com o cio, com as mãos agarrou-se bem aos ferros da cabeceira da cama. Estava preparada para me receber:

- Leva-me a loucura! Disse ela com a voz rouca de tesão.

Não pensei duas vezes, com as mãos abri bem as nádegas e enrabei-a a seco. Que tesão! Fechei os olhos e imaginei estar com a Joana.

- Ui! Ai…Isso! Gritava ela.

- Vou te arrebentar toda! Disse eu já descontrolado de prazer.

- Oh! Sim… dá-me à bruta… ui! Gemia ela.

Penetrava o seu ânus como se de uma cona se tratasse, estava completamente descontrolado de prazer, imaginava-me com a Joana. Aumentei o ritmo e preparei-me para gozar dentro dela.

- Oh! Oh! Que cona tão boa, tão apertadinha! Disse eu imaginando-me com a Joana.

- Sim! Isso… Estou quase. Dizia ela incentivando-me a aumentar ainda mais o ritmo.

Assim fiz, já quase no limite das minhas forças deixei-me vir ejaculando violentamente dentro dela.

- Oh! Que foda! Disse enquanto me vinha.

- Ai…Ui…Uiiiii… Vem-te querido. Vem-te! Repetia ela.

- Foi de mais! Estava mesmo a precisar. Disse eu enquanto a beijava nas costas, subindo para o pescoço, ela voltou a cabeça e beijamo-nos intensamente.

 

Já refeito, depois de mais uma passagem pela casa de banho, tomamos o pequeno-almoço quase em silêncio. Num impulso, numa fraqueza do momento tínhamos quebrado uma promessa de quase dois anos.

- Andas com outra na cabeça, não é? Perguntou.

Não respondi, limitei-me a olhar bem nos seus olhos.

- Uma mulher sabe, e hoje…estavas louco, parecia que estavas a comer outra. Concluiu.

- Não dramatizes, conheces-me… Sabes que te curto muito. Respondi.

- Não, não te preocupes comigo, estou bem. E adorei a forma como… Estou é preocupada contigo. Estás apaixonado! Respondeu divertida.

Rimos.

 

Já de regresso a Lisboa, em plena auto-estrada, pensava na loucura que tinham sido aquelas ultimas 24 horas.

 

(continua…)

 

publicado por sufer às 18:01
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